1# EDITORIAL 23.10.13

"ABUSO NO AR"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

No Brasil de critrios frouxos para coibir abusos, a velha mxima de levar vantagem em tudo ganha propores desmedidas quando se trata de mercados controlados por poucos e poderosos grupos. Tome-se, por exemplo, agora o caso das companhias areas que resolveram cobrar alm da conta  de qualquer conta razovel ou aceitvel  por passagens durante o perodo da Copa do Mundo que se aproxima. Em um simples trajeto de ida e volta na ponte area Rio-So Paulo, o preo do bilhete nessa temporada chega a inacreditveis R$ 2.393 pela bandeira lder do setor, TAM, praticamente dez vezes mais que o cobrado regularmente. A alegao surrada de oferta-procura no encontra qualquer parmetro com a realidade, dado que mesmo um ano antes do evento, em junho passado, quem se dispusesse a antecipar seus planos nesse sentido encontraria tarifas indecentes at para resgates com pontos no difundido programa de milhagem. Passageiro de qualquer parte do planeta com rotas cobertas por companhias brasileiras, e que escolha uma delas para viajar com destino  Copa aqui, perceber a discrepncia absurda do preo entre as bandeiras nacionais e estrangeiras. E por que isso ocorre? No tem a ver com o custo. Muito menos com o tamanho da disputa por seus assentos.  uma postura cultural, nativa, de explorar sem limites uma clientela cativa por falta de opes. A Embratur, preocupada com as consequncias negativas para o Pas dessa prtica gananciosa, est avaliando propor  Anac um teto tarifrio e a abertura da aviao domstica para companhias estrangeiras, ao menos durante a Copa. Seria uma alternativa, mas paliativa, caso no se pense em uma soluo de longo prazo que reformule o mercado e intensifique a vigilncia sobre as deliberaes dessas empresas. Durante os Jogos Pan-Americanos e a Copa das Confederaes, as autoridades tambm tiveram de intervir em outro brao de atividade do turismo, quando hotis majoraram em mais de 600% suas dirias. Em perodos como Natal e Ano-Novo, essa poltica da esperteza alcana nveis estratosfricos no Brasil.  normal esperar que na chamada alta temporada o preo pedido por esses servios aumente. Isso ocorre em qualquer parte do mundo. Mas jamais nos patamares encontrados por aqui  algo que no apenas macula a imagem do Pas como desestimula de maneira perene a ainda incipiente demanda turstica interna. Abdicar do potencial dessa indstria devido  sanha de faturar alto em curto espao de tempo  lamentvel e nada inteligente. Perdem todos, inclusive os responsveis pela prtica, que afugentam potenciais clientes.

Carlos Jos Marques, diretor editorial

